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O trecho acima, que contém a oração "Pai
Nosso", faz parte do Sermão da Montanha, capítulos
5 e 6 do Evangelho de São Mateus. O Sermão da Montanha é uma das mais
perfeitas expressões do nosso Eu interno, do nosso átomo "Nous",
do Homem perfeito que está dentro de cada um da nós.
É uma perfeita expressão do Cristo que mora dentro de cada coração.
Perfeita, porque foi verbalizada por Jesus, o Mestre Perfeito, capaz de
manifestar com toda a perfeição a alma do mundo. No Sermão da Montanha,
cada palavra, cada figura, cada expressão, tem um sentido profundo, que
fala à alma de todos os homens.
A oração do Pai Nosso é a oração
perfeita!
A Prece
Mas tu, quando orares, entra no
teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em oculto; e
teu Pai, que vê secretamente, te recompensará.
A finalidade primeira de uma prece é a busca de
conforto, através do contato do homem com Deus. Consiste numa experiência
individual, sem intermediários, em que o homem terreno e material, une-se
a Deus. Uma experiência entre aquele que ora e Deus.
Não há como auxiliar alguém a fazer uma prece. Não há nada, nem ninguém,
que possa facilitar a chegada da prece aos ouvidos de Deus. Porque Ele está
dentro de cada um, "em oculto".
A prece é uma experiência pessoal e particular.
E, orando, não useis
de vãs repetições, como os gentios que pensam que por muito
falarem serão ouvidos.
Não são palavras, nem cansativas
repetições, que fazem uma prece chegar aos ouvidos de Deus. São os
sentimentos que estão dentro do coração, e não as belas e eloqüentes
palavras.
A prece deve que ser dita com conhecimento e
consciência perfeita daquilo que se diz.
Não vos assemelheis,
pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes
de vós lho pedirdes.
A prece não visa pedir nada a Deus. Mesmo
porque, na grande maioria das vezes, não sabemos verdadeiramente o que é
o melhor para nós. A prece é uma elevação do nosso padrão vibratório;
esta elevação é que nos dá o conforto que buscamos.
É uma invocação, uma chamada da energia divina (de alta freqüência),
para que desça até a materialidade do homem (de freqüência muito mais
baixa), divinizando-o, mesmo que seja por um único instante de êxtase.
O Caminho
dos Chacras
Para que esta energia de alta freqüência possa
ser percebida pela materialidade humana, tem que ser rebaixada — Como se
faz com a energia elétrica de alta voltagem, que deve ser transformada
(por um transformador) — para que possamos utilizá-la.
A oração do Pai Nosso é uma interessante seqüência de afirmações e
petições, que se inicia num nível vibratório de alta freqüência,
altamente mística, e vai decrescendo até freqüências mais baixas,
puramente éticas.
A oração do Pai Nosso é como um caminho, porque passa a energia dentro
de um transformador. O transformador, no caso, é o corpo, com seus
diversos níveis de troca de energia.
As trocas de energia no corpo fazem-se através de plexos nervosos, com
ritmos vibratórios distintos, que se distribuem pelo corpo em locais
denominados "chacras".
A energia divina é chamada, pela invocação de Deus. Entra pelo alto da
cabeça, e vai sendo progressivamente transformada, a cada chacra que
passa, até atingir o nível vibratório do chacra básico (genital), onde
se encontra nossa materialidade.
Traz, desta forma, Deus até nós!
Vamos acompanhar, passo a passo, essa transmutação
da energia divina, para que tenhamos uma compreensão da grandeza desta
oração que Jesus nos deixou.
Plexo Coronário — Chamada da energia
Pai nosso que estás nos céus.
Esta primeira afirmação consiste na chamada da
energia do Alto, na entrada desta energia pelo alto da cabeça, através
do plexo coronário, que, segundo os orientais, tem mil pétalas e gira
com incrível velocidade.
Pai!
A prece se inicia com a chamada: — Pai! Esta
simples afirmação, identificando Deus como Pai, é de um extraordinário
alcance. Ao chamarmos Deus de Pai, estamos nos identificando como Seus
Filhos. Como Filhos, temos a potencialidade do Pai em nós. Nos
identificamos com Deus em um nível energético extremamente elevado.
Neste momento captamos a energia do alto!
Nosso
Quando dizemos "Nosso", entendemo-nos
como Irmãos de todos os seres. O Pai é Nosso; não é só meu, porque
somos todos Irmãos.
Esta conceituação amplia a anterior. A energia contida nesta afirmação
- Pai Nosso! - é possível explicar, mas é impossível a um ser humano
comum sentir esta afirmação com total percepção de amor. A emoção
contida na total compreensão desta afirmação, seria de tal magnitude,
que destruiria o sistema nervoso de um homem comum. A grande mística,
Santa Terezinha, não conseguia dizer a oração do Pai Nosso: quando
iniciava a oração, perdia os sentidos. Santa Terezinha, nesse momento,
tinha percepção e consciência desta energia de altíssima freqüência.
Freqüência que o organismo humano não tem estrutura para suportar.
Que estás nos céus
Deus que está em toda parte, que impregna tudo,
que É! Este é o conceito que Deus transmitiu a Moisés, quando este
perguntou-lhe quem Ele era. A resposta foi:
- "Sou aquele que É!"
Nesta primeira afirmação da oração, temos a identificação de Deus, e
a chamada do "Nome de Deus".
"Aquele que É"! Jafé! Jeová ! Iod-Hé-Vau-Hé!
Nome que a boca humana não é capaz de pronunciar!
Explicar tais conceitos é possível; senti-los, entretanto, é totalmente
impossível ao ser humano normal. Como se pode ver por este início, o que
está escrito nos evangelhos transcende em muito a aparente simplicidade
das palavras. A grandeza do Evangelho não está na letra morta, mas no
espirito de quem o lê.
O Evangelho é vivo!
Chacra Frontal
Santificado seja o vosso nome.
Para entender esta petição, temos que antes
entender o que quer dizer "santificado".
Santificado - "Que seja considerado Santo".
Santo envolve o conceito de perfeição e de universalidade
Nome - O nome não é como imaginamos, uma palavra que designa alguma
coisa.
Nome é a vocalização ou a materialização de um ser ou objeto.
O Nome de Deus é impronunciável!
Segundo os judeus, esse Nome só era pronunciado
em determinado dia, no âmago do Santuário do Templo, pelo Supremo
Sacerdote. O nome é a excelência do ser ou do objeto. O Nome de Deus é
a essência de Deus - é o próprio Deus!
Nesta petição mística, pedimos que Deus seja aceito por tudo e por
todos, como a perfeita harmonia universal (Santo). Como sendo "Aquele
que É"!
Que Deus seja a harmonia total, e que tudo e todos sejam o seu reino!
Aqui está expresso o conceito maior da unidade. Tudo e todos são Um!
Este conceito não pode ser percebido pelos nossos sentidos.
Com esta petição mobilizamos a energia pela passagem no Chacra Frontal.
A energia transformada, neste ponto, já permite uma certa compreensão,
que muito se aproxima de uma inspiração, e que pode ser percebida através
da região frontal ou do "terceiro olho".
Chacra Laríngeo
Venha a nós o vosso reino
Na petição anterior pudemos ter uma pequena
inspiração do que seja o "Reino de Deus". Nesta segunda petição
mística, pedimos que este "reino", esta harmonia de todos e de
tudo, venha a até nós.
O reino de Deus manifesta-se através do Verbo! "No inicio era o
Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1, 1).
O Verbo, o Logos, o Cristo, se manifestam pela palavra. Através da
palavra é que podemos materializar a energia que vem de outros níveis.
Sabe-se hoje que o som é a energia vibratória que mais próximo se
encontra da matéria. Com facilidade materializamos um som, fazendo vibrar
a limalha de ferro em um placa, formando figuras.
O som e o Verbo manifestam-se através do Chacra Laríngeo, onde
encontra-se nossa capacidade de expressão pela palavra.
O modo do Reino vir até nós é através do nosso Chacra Laríngeo. A
conceituação expressa nesta terceira afirmativa movimenta o Chacra Laríngeo,
pela passagem da energia divina por ele.
Na simbologia da Torre de Babel, podemos observar que a perda do reino
(harmonia entre os homens), deu-se pela perda da possibilidade de expressão
pelo homem. A perdição do homem foi pela perda da palavra, em conseqüência
de sua presunção.
Notamos que, a cada descida da energia divina,
fica-nos mais acessível o entendimento.
Chacra Cardíaco
Seja feita vossa vontade assim na
terra como nos céus.
Claro que a vontade de Deus se fará sempre em
todos os lugares! Independendo da nossa vontade e das nossas rogativas.
Nossa vontade não é oriunda da mente racional, como muito
pretensiosamente julgamos. A vontade é um impulso que parte de dentro do
coração, que a mente transforma e adapta às suas necessidades.
Vemos no Evangelho que muitas vezes Jesus afirma este conceito -
"Porque pensais assim em vossos corações".
Que nossos corações aceitem e entendam a "Vontade de Deus"!
Esta é a síntese da quarta petição.
Neste ponto a energia é transformada pela passagem pelo plexo do Chacra
Cardíaco.
A petição é de que nosso coração tenha o entendimento desta Vontade.
Que esta vontade seja aceita tanto em cima como embaixo (na terra como nos
céus).
A afirmação adquire aqui uma conotação interessante. O Chacra Cardíaco
é o chacra que fica no meio do corpo.
A figura de céu e terra, colocada neste ponto da oração, é de uma
clareza e de uma beleza poéticas.
Podemos ver que a cada descida da energia, fica mais compreensível o
entendimento, e mais clara a correlação com os plexos energéticos (chacras)
do corpo humano.
Neste ponto encerram-se as 3 petições que são de conteúdos místicos,
passando-se às 4 seguintes que são de conteúdo ético.
Chacra Umbilical
O pão de cada dia dai-nos hoje.
As petições éticas são de mais fácil
entendimento. A energia já se encontra em níveis vibratórios próximos
à nossa consciência.
De uma forma poética, o pão está representando todas as nossas
necessidades de sobrevivência neste mundo. Difícil achar forma mais
clara de expressar tal abrangência.
"O pão de cada dia dai-nos hoje" - não o pão do dia de amanhã:
somente o de cada dia, a seu tempo.
Esta petição envolve não só a satisfação de nossas necessidades
materiais, como também as psicológicas, pedindo que tenhamos confiança
e fé de que o pão de amanhã será servido a seu tempo. Que não
tenhamos ambição e ganância para acumular tesouros terrenos, que as traças
e a ferrugem destróem.
A primeira petição ética é claramente a ativação
do Plexo Solar, Umbilical ou do Estômago, que é representado pelo Chacra
Umbilical.
Chacra Esplênico
Perdoa as nossas dividas, assim como
nós perdoamos os nossos devedores.
Esta petição, que de inicio parece mística, é
uma forte petição ética, como vamos ver a seguir. Nas nossas dívidas
estão as nossas culpas. Quando temos culpa, ficamos vinculados a essa
culpa de uma maneira quase física.
A culpa nos prende pela emoção. A emoção é diferente do sentimento;
é acompanhada de manifestações físicas (calafrios, rubores, suores,
arrepios). As emoções são percebidas através do abdome. Os vínculos
obsessivos com entidades espirituais fazem-se através do Plexo Esplênico.
Como é possível perdoar nossas culpas? Seria injusto Deus perdoar uns e
não perdoar outros. Não é Deus que perdoa nossas culpas, somos nós
mesmos! Perdoamos na medida em que nos tornamos capazes de perdoar os
nossos devedores. Quando conseguimos perdoar nossos devedores, desfazemos
esse vínculo esplênico da culpa.
Perdoar os nossos devedores não é uma atitude mística, e sim ética.
Perdoar, ou não, os nossos devedores, é mais importante para nós do que
para o devedor. Perdoar é uma atitude lógica, racional, e do interesse
de cada um. Na medida em que perdoamos é que somos perdoados. Por mais
que sejamos perdoado, só estaremos perdoados, quando nós mesmo nos
perdoarmos!
Esta segunda petição ética é colocada de uma forma impressionante
sobre o Plexo Esplênico, orientando a forma com que a energia tramita por
este chacra.
Chacra Sacro
Não nos deixeis cair em tentação.
Esta petição tem características muito
interessantes. Não se pede aqui para que não existam tentações. Também
não se pede que não sejamos submetidos às tentações. Que existam! Que
sejamos tentados! Que tenhamos força para não cairmos nelas!
Não podemos evitar as tentações da matéria, porque vivemos nela. Viver
na matéria é a principal finalidade de nossa existência neste "eon".
Não podemos pedir que nos liberte do mundo! Pedimos que não fiquemos
presos às tentações do mundo. Que saibamos viver no mundo sem ficarmos
presos às coisas terrenas.
Com esta terceira petição ética chegamos com a energia divina até
nossa materialidade terrena.
Nossos plexos Sacro e Genital (básico) são a parte do nosso corpo que
nos põe em contato com o mundo material.
Neste ponto, temos mais uma interessante colocação desta prece, quando
separa o chacra sacro do chacra básico. Há entre os estudiosos dos
chacras aqueles que os consideram como um único chacra. Provavelmente com
a intenção de que o número dos chacras sejam sete. Na prece, os chacras
sacro e básico aparecem separados de uma forma bastante sutil, o que dá
margem a interpretar os chacras como sete ou oito. A ultima petição pode
parecer incluída nesta.
Chacra Básico
Livrai-nos do mal.
Esta ultima petição ética é de difícil
interpretação. Ficou claro na petição anterior, que a tentação não
é o mal.
O que seria este mal? Poder-se-ia entender o mal como sendo o caminho da
satisfação dos sentidos, o mergulho do homem na sua materialidade. Sendo
este caminho uma opção de fé e de vida. Alegam alguns magos negros que
esta seria um opção divina. Já foi o próprio Deus que nos colocou os
sentidos e nos proporcionou o prazer em satisfazê-los.
A doutrina de Jesus é clara em mostrar que é mesmo necessário que
tenhamos nossos sentidos satisfeitos, até o momento em que tenhamos
chegado ao fim do poço da jornada da satisfação destes sentidos. Para
então reiniciarmos o caminho de volta a Deus. Como bem está demonstrado
na parábola do Filho Pródigo.
O homem é sem duvida muito mais que a sua materialidade. A plena satisfação
da materialidade não conduz o homem á felicidade. Este fato está sendo
demonstrado de modo prático e claro, neste fim de ciclo pelo qual estamos
passando. O homem vem tendo todas as suas necessidades satisfeitas pelo
progresso da ciência e da tecnologia, sem que isto o torne mais feliz.
Esta interpretação não faz sentido, não só nesta prece, como também
não se sustenta por si mesma.
O verdadeiro mal também não consiste em se ser mau. A grande maioria dos
que são maus, o são por defesa, por medo, ou por ignorância. "Deus
faz nascer o sol todas as manhãs igualmente para os bons e para os
maus". Não se pode aceitar que exista um mal organizado, que se
contraponha ao bem e à harmonia de Deus. Desta forma estaríamos
aceitando um Deus que não seria onipotente. Não há dualidade entre bem
e mal.
Fazer o mal gera uma reação externa, que se volta contra o próprio
homem, criando agressões dos outros homens ou do meio.
Quanto mais adiantado o homem, fazer o mal gera uma desarmonia interna que
o faz sofrer. O homem está no mundo para evoluir e crescer, na compreensão
deste ciclo evolutivo. Sendo mau, vai de alguma forma movimentar forças
que se voltarão contra ele, não com o intuito de puni-lo, mas de educá-lo
na compreensão deste ciclo evolutivo. Desta forma, vemos que ser mau não
é o verdadeiro mal.
Estas observações levam-nos a admitir que o verdadeiro mal está na inércia
do homem.
O mal está em ser morno, não ser frio nem quente. O mal está em não
usar os "talentos" com que fomos brindados.
O mal está em ficar parado! - Conforme foi dito pelo próprio Jesus.
Com esta ultima petição, se encerra esta maravilhosa oração.
A energia divina foi trazida até nós, rebaixada gradualmente através
dos nossos vórtices de energia (chacras), vindo finalmente nos dar um
impulso de vida. Impulso para que sigamos adiante!
Para que andemos!
Para que vivamos!
Por que vivendo, bem ou mal, certo ou errado, inevitavelmente estaremos
cumprindo a Vontade de Deus que está em nós!
Amém!
Interpretação de José
Carlos Fragomeni
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