Esta é uma
das passagens do Sermão da Montanha. Segue logo após as exortações
da Bem-Aventuranças. Como todo o Sermão da Montanha esta afirmativa
é de uma profundidade muito grande para o entendimento da mensagem do
Cristo encarnado em Jesus. Trata-se da primeira de uma série de
afirmações que compõem o Sermão da Montanha. Sendo a primeira
assertiva, é de caráter amplo, considerando o homem em conjunto,
dando o sentido principal da vida do homem.
Esta comparação
é de uma propriedade maravilhosa.
O valor do sal
O sal em si não
tem qualquer valor, não é alimento , não tem outra serventia que não
a de ressaltar o sabor dos alimentos. O sal é indispensável à vida
e, no entanto, em excesso é danoso.
A água de
dentro dos tecidos vivos movimenta-se pelas diferenças de concentração
do sal. O corpo humano retém a água devido ao sal que contém; a célula
preserva uma concentração de sal.
O sal é uma
substância que por si mesma não tem nenhuma qualidade. Por si mesmo
não é um alimento, destrói o paladar .
Colocado na
terra, a esteriliza. Em contato prolongado com a pele, a destrói. Não
tem cor. Não tem cheiro. Não tem forma. Desaparece nos líquidos.
Tempero e
Relacionamento
Por si mesmo,
não vale nada! Misturado, vem a ser a alma do mundo!
A vida não
existiria sem o sal. A vida não teria forma, os alimentos não teriam
sabor. A própria terra necessita certa quantidade de sal para
produzir.
O sal é
basicamente um tempero!
Desta mesma
forma somos nós o "sal da terra"! Um homem é como o sal:
precisa misturar-se, interagir com os outros e com o mundo. Toda sua
potencialidade só tem valor se for para temperar a vida. Concentrada
em si mesmo, é destrutiva.
O homem que
vive dentro de si mesmo, com e para os seus pensamentos e o seu raciocínio,
vivendo para o seu egoísmo, torna-se um ser que destrói a terra onde
pisa. Misturado, interagindo com os outros seres, mesmo em pequenas
quantidades, torna-se capaz de executar as grandes obras. Grandes
obras que não são ele, o "sal da terra", mas que sem ele não
existiriam. Por si só nada vale, mas é quem dá sabor à terra ! Se
não for para nos relacionarmos com tudo e com todos, nada valemos!
Como devemos
viver
Devemos viver
a vida na terra, nos relacionarmos uns com os outros. Este
relacionamento é que faz o sal da terra. De nada adianta sermos o sal
se não dermos o tempero à vida? De que serviria a vida se não fosse
vivida, de que serviria o sal insosso?
"Vós
sois o sal da terra e, se o sal for insípido, com que se há de
salgar?" A pergunta fica propositadamente sem resposta. Se não
fosse o homem no mundo, o que existiria? Com que se há de salgar?
O mundo
existe em relação à nossa consciência. Sem o homem não há existência!
Este
relacionamento não pode ser insípido, não
pode ser morno: deve ser frio ou quente. Este é o
tempero da terra!
Uma grande
quantidade de sal torna tudo estéril, como está se vendo nos dias de
hoje, quando tanta gente se refestela, vivendo só para si, sem se
relacionar com os outros e com o mundo.
O homem por
si só não vale nada, seu valor está no seu relacionamento com os
outros seres e com o mundo! O homem existe para dar finalidade e
beleza ao que existe, para ser o tempero do mundo.
Se não se
misturar com os outros e com o mundo, torna-se insosso, deixa de ter
valor, deixa de ter sentido, torna-se destrutivo. Da mesma forma que o
é uma montanha de sal.
Do pouco que
sejamos, se este pouco for misturado às coisas do mundo, faremos com
que tudo seja grande, belo e tenha sentido. Da mesma forma que uma
pitada de sal torna o alimento saboroso, o pouco que o homem seja é
capaz de transformar as coisas do mundo.
O homem não
vale nada por si mesmo; na medida em que se julgue importante vai se
tornando como um monte de sal. Tem que encontrar seu sentido na vida,
e não existir apenas para si mesmo — ele é o tempero.
Neste mundo
em que vivemos, somos o sal da terra. Cada um de nás em si nada vale,
não temos outra serventia que não a de adicionarmos sabor à vida. E
se adicionamos em excesso, somos danosos.
Tudo o que
existe no mundo não valeria nada, não teria finalidade, não teria
sentido se não fosse o "sal da terra".
Vivamos
agradecendo a Deus a oportunidade de viver, de nos relacionarmos, de
fazermos qualquer coisa que se relacione como todos e com tudo.
A inércia
O pior de
todas os males é a inércia. É o não fazer nada. É dispor dos dons
de Deus sem usá-los. É não usar os talentos de que dispomos.
Vamos à luta
de cada dia, enfrentemos as dificuldades relacionado-nos com as
pessoas, em paz, e gerando harmonia à nossa volta.
É desta
maneira que somos o Sal da Terra !
Cada um de nás,
em si, não valemos nada, nada mais somos que um monte de um pó. Se,
porém, formos usados para temperar a terra, geraremos a vida, a evolução
e o crescimento espiritual de todos nós.
Somos o Sal
da Terra!
Se formos insípidos,
de nada valeremos. Somos o tempero que acrescenta sabor à vida! Nada
existe de mais interessante do que esta comparação!
Somo o Sal da
Terra!
É lutando
que nos tornamos o Sal da Terra. Vivendo, enfim!
"Vós
sois o sal da terra, e se o sal for insípido, com que se há de
salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser
pisado pelos homens."
Vós sois o
sal da terra! Para que se misturem, para que interajam, para que dêem
sabor à terra!
Sozinhos,
"se fordes insípidos", tornar-vos-ei um ser destrutivo, que
não tem cheiro, que não tem forma, que destrói a pele onde toca, e
esteriliza a terra onde fica, e desaparecereis nas águas do mundo!
Interpretação de José
Carlos Fragomeni
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