A história marcada pelas cachaças do Médio Paraíba

A região do Médio Paraíba se destaca pela história, pela tradição e pela cultura. E nada mais belo do que a tradição da produção da cachaça, mantida por alguns empreendedores que produzem a famosa aguardente e ajudam a girar a economia e cultura através da sua produção. Por causa desses visionários, a cachaça ganhou destaque no estado e os produtos vêm se tornando cada vez mais conhecidos dos consumidores que, ao mesmo tempo, buscam sabor e a tradição. A reportagem foi atrás de alguns produtores para conhecer como começaram e porque mantém a tradição.

A Alambique Vieira e Castro é uma empresa de Rio das Flores/RJ. Os proprietários são a Aline de Castro Vieira e o Ângelo de Castro Vieira. Os irmãos construíram juntos a empresa, realizando um sonho antigo da família que começou com o pai.

– A fazenda foi comprada em junho de 2014 e o canavial plantado em outubro do mesmo ano. A sede do alambique foi construída em 8 meses com o que há de melhor em recursos tecnológicos para atender as exigências dos órgãos de fiscalização e as leis atuais. A 1ª safra de teste aconteceu em agosto de 2015. Em janeiro de 2018, depois de muita burocracia, todos os registros necessários foram finalizados (municipais, estaduais e federais) e a partir daí foi desenvolvida toda a parte visual da empresa (rótulos e logomarca), começando assim o trabalho de divulgação. A empresa ainda não recebeu nenhuma premiação, pois ainda não participou de nenhum concurso, uma vez que, somente tem 1 ano e 8 meses de registro -, conta Aline.

Aline explica que não tiveram apoio de nenhum órgão para montar ou desenvolver a empresa. Somente depois de tudo pronto, após todos os registros e da empresa já ser associada a APACERJ (Associação de Produtores e Amigos da Cachaça do Estado do Rio de Janeiro) que conseguiram apoio do SEBRAE Rio para participar de alguns eventos, como: exposições, festivais e feiras. Ela explica que o Alambique Vieira e Castro nunca foi idealizado para ser apenas uma destilaria.

Iniciativa

A ECX Cachaças Artesanais Ltda., mais conhecida como Cachaça Werneck, é outra empresa familiar de Rio das Flores. Seu Eli Werneck conta que ele e a esposa Cilene iniciaram o negócio após comprar o sítio. A atividade econômica tinha o objetivo de custear a nova propriedade.

– Os vizinhos e amigos próximos dali, todo mundo achava que eu devia botar umas vacas e tirar leite. Ou seja, fazer o que todo mundo já faz. Eu não gostei da ideia e achei que seria melhor fazer uma atividade diferente. E nasceu a ideia de fazer cachaça. Eu já era colecionador de cachaça há mais de trinta anos. Nós fizemos cursos, participamos de seminários, contatamos um agrônomo recomendado por amigos nossos. Foi excelente! Ele estava fazendo doutorado e a tese dele era cana. Primeiro, fizemos o canavial. Depois, eu mesmo fiz o projeto da destilaria. E construímos a destilaria em 2008. A produção começou efetivamente em agosto de 2009.

A venda de cachaça começou efetivamente em abril de 2010, conta Eli, somente após a empresa estar totalmente regularizada. A divulgação veio rápido: em abril de 2011, a empresa foi convidada apresentar seu produto em um Concurso de Piraí. Ele lembra que nem acreditava que tivesse chance, mas acabou saindo com o 1º lugar. Eli conta que a cachaça Werneck foi considerada a melhor cachaça branca do Vale do Café. Desde então, ganharam várias premiações e medalhas, sendo a primeira internacional em 2013. Ele acredita que a empresa acabou sendo forçada a crescer por conta da projeção que ganhou quase que involuntariamente. Hoje, a Cachaça Werneck conta com um mercado abrangente, em São Paulo, Minas Gerais e outros estados, além de exportações (América Central, Califórnia-USA e Quebec-CAN). Eli explica que, desde o início, tiveram muito apoio do Sebrae-RJ. Atualmente, a Werneck possui duas cachaças no Ranking das Cachaças, entre os dezesseis primeiros lugares, num rol de mais de 2 mil marcas.

– Nessa semana que passou, uma das nossas cachaças ganhou uma medalha de ouro em concurso feito em São Paulo, concurso nacional de destilados e de vinhos. Nós ganhamos na nossa cachaça Premium ouro.

Segundo Eli, o Governo do Estado, através da Secretaria de Agricultura e da Emater, também apoia bastante, com a realização de eventos e suporte técnicos. O Município não oferece apoio, mas Eli lembra que a empresa recebe muito reconhecimento da Administração Municipal, por levar o nome de Rio das Flores pelo Brasil.

– O Sebrae nos ajudou em todos os sentidos, desde o início. Primeiro, em associativismo. Nós fizemos parte de uma associação regional. Chamava Cachaças do Vale. Que acabou não indo muito em frente. Hoje, sou até diretor de uma Associação Estadual, que se chama APACERJ. Colaborou também no sentido de nos dar oportunidades de expor nossos produtos. Nós fomos o primeiro a receber a certificação do InMetro específica de cachaça, também com apoio do Sebrae.

Ele aproveita para contar que, por conta da atividade, resolveram também ser socioambientais, reflorestando a área.

– Nós desenvolvemos a mata ciliar. Nós temos quase 1 km de beira de rio, o rio das Flores. E plantamos mudas de Mata Atlântica nas encostas. Estou ainda trabalhando para aumentar esse plantio. Eu estou agora com um projeto com um grupo francês, que está começando a comprar minha cachaça, que vai fazer parte de uma bebida finalizada na França. E eles estão oferecendo $ 0,50 de Euro para cada garrafa vendida para operações de reflorestamento e manutenção de nascentes.

Importância

Para Aline, do ponto de vista econômico, o fortalecimento desse nicho de mercado para a região é muito importante.

– O projeto foi desenvolvido desde o início para ser um ponto turístico, unindo a fabricação de um excelente destilado e ao prazer da degustação guiada. Com isso, o fortalecimento para a região é a nível macro, fomentando o comércio, o turismo e a geração de empregos em diversos setores coligados.

Eli lembra que as empresas oferecem empregos diretos, além de indiretos, empregando moradores em obras ou adquirindo material de fornecedores da cidade e região.

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