Praças de Valença: Jardim de Cima e Jardim de Baixo

Por Paulo Henrique Nobre

Jardim de Cima e Jardim de Baixo é a forma popular como são conhecidas, respectivamente, as Praças Visconde do Rio Preto e XV de Novembro, localizadas no distrito sede da cidade de Valença, na região Sul Fluminense do Estado do Rio de Janeiro. Os dois locais são reconhecidos pela exuberância florestal, pelos gramados e pelos aparelhos arquitetônicos que guardam. E ambos são o legado para Valença do gênio de um artista renomado internacionalmente, o botânico e arquiteto paisagista francês, Auguste François Marie Glaziou.

De acordo com o livro “Valença de Ontem e de Hoje”, do escritor Leoni Iório, essas praças não nasceram com esses nomes: fundada em 1868, a hoje chamada Visconde do Rio Preto era conhecida como Praça ou Largo da Câmara, já que foi ao seu redor que funcionou o primeiro prédio da Câmara Municipal e a Cadeia Municipal; já a XV de Novembro chamava-se, na época, Praça da Constituição; posteriormente, foi denominada Praça do Comércio (antes de ser ajardinada) e, a seguir, Praça Dom Pedro II. O ajardinamento das duas praças foi iniciado em 1884 pelo então presidente da Câmara, vereador Coronel João Rufino Furtado de Mendonça. Ambas receberam gradil de ferro, sendo que apenas a Praça XV de Novembro mantém o seu até hoje: o gradil da Praça Visconde do Rio Preto foi retirado em 1919, substituído por um passeio de cimento que a circunda até à atualidade. Para o ajardinamento das duas praças, a Câmara Municipal providenciou, através do Dr. Oliveira Figueiredo, a aquisição de exemplares florestais junto ao diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O Jardim de Cima é uma praça com 8.075 m2 e se destaca pelo belo coreto em ferro fundido, construído em 1916 em estilo art-nouveau. Outro equipamento histórico é o Monumento à Inteligência, construção erguida pela Academia Valenciana de Letras em comemoração ao seu Jubileu (1974). Outras esculturas importantes são os bustos de D. André Arcoverde (primeiro Bispo de Valença) e do Dr. Humberto Pentagna. Na década de 1950, o jardim passou por uma grande reforma que eliminou seu traçado original. Ao seu redor, erguem-se importantes prédios históricos, como o Palacete do Visconde do Rio Preto, que hoje é ocupado pelo Colégio Estadual Theodorico Fonseca; a Casa do Bispo, construída na segunda metade do século XIX; e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, pertencente à Paróquia de Nossa Senhora da Glória. Atualmente, a Praça tem sido destinada à realização de eventos culturais, como a Feira Literária de Valença e comporta um Parque Infantil.

Medindo cerca de 16.800 metros quadrados, a Praça XV de Novembro “é um dos logradouros mais pitorescos e aprazíveis da cidade. Beleza e majestade, as suas velhas árvores empolgam. Outrora mais fechado por arvoredos e arbustos, o jardim da praça D. Pedro II se apresentava como um parque de irresistível atração urbana. Ainda hoje, conservando traços de sua beleza antiga, desperta, contudo, a curiosidade dos que visitam a cidade” (trecho do livro “Valença de Ontem e de Hoje”). É marcado por árvores frondosas centenárias, de várias espécies, como jameleiras, figueiras, acácias e palmeiras, que se misturam com pássaros de diversas espécies e, durante anos, contou com a presença de alguns exemplares de bichos-preguiças. Aparelhos arquitetônicos se destacam como o Divã de Cantaria, construído em 1831; e o Chafariz, onde os escravos encontravam-se para encher os tonéis d’água e lavar roupa, todo em cantaria de granito, construído em 1850 e que se constituía como ponto principal de abastecimento de água da cidade. Algumas coisas mudaram ao longo do tempo: a praça abrigava um tanque que possuía peixinhos dourados, mas que foi retirado em 1915 para dar lugar ao busto do Comendador Antônio Jannuzzi.

Ao seu redor, se encontram prédios históricos imponentes, como o prédio atual da Câmara, construído entre 1854 e 1856 em arquitetura neoclássica; o da Escola Normal, construção em estilo eclético de 1939; e vários casarões edificados entre o século XIX e meados do século XX, inclusive o que abrigou a segunda sede da Câmara na cidade.

Auguste Glaziou

De acordo com o livro “Valença de Ontem e de Hoje”, o Jardim de Baixo e o Jardim de Cima foram construídos — segundo escreve o jornalista valenciano Mário Domingues — pelo maior artista europeu de seu gênero na época em que viveu: Auguste Glaziou, o mesmo que levantou a planta do jardim da Praça da República, antigo Campo de Sant’Ana, no Rio de Janeiro. “Contratado por Dom Pedro II para a construção no Rio de Janeiro dos parques do Campo de Santana e da Quinta da Boa Vista, trouxe, em 1860, uma nova concepção de arte arquitetônico-paisagística. É a que os franceses chamam de gênero ‘grandiose’, jardim ‘d’agrément’, completamente diferente do jardim de utilidade do Mestre Valentim.
Há ainda os acidentes do terreno, que, no nosso Jardim de Baixo, são naturais, e que Glaziou, com tanta inteligência, soube aproveitar quando em 1884 o construiu depois de uma longa permanência de 24 anos no Brasil, sentindo, nessa época, perfeitamente, a natureza brasileira, o que lhe permitiu fazer, com mais alma, duas grandiosas obras de arte em Valença” (trecho do livro “Valença de Ontem e de Hoje”).

Crédito das Fotos: Internet / “Valença de Ontem e de Hoje”

Curta e compartilhe nas redes sociais:
error
                           
Comentários

Leave a Reply