Rosinha de Valença

Por Paulo Henrique Nobre

Se ainda estivesse viva, a compositora, intérprete e violonista Rosinha de Valença completaria 78 anos no próximo mês de julho. Nascida em 1941 (30/Jul.), na cidade de Valença (Sul Fluminense), Maria Rosa Canellas – Rosinha de Valença era o seu nome artístico – consagrou-se como uma das maiores artistas de sua época, com grande destaque no rádio e repercussão nacional e internacional, divulgando a música popular brasileira e o nome de sua terra natal.

Rosinha sempre se dedicou à música: começou a estudar o violão ainda criança, como autodidata. Aos 12 anos, já mostrava exímia técnica e encantava os valencianos através das rádios e em festas na região. Mudou-se em 1963 para o Rio de Janeiro, cidade onde sua musicalidade foi descoberta pelo jornalista Sérgio Porto, o conhecido Stanislaw Ponte Preta, que lhe deu o nome artístico que usou durante toda sua carreira musical. Por intermédio de Sérgio, conheceu artistas de renome, como Baden Powell e Aloysio de Oliveira. Seu primeiro disco foi lançado ainda em 63: “Apresentando Rosinha de Valença”, pela gravadora Elenco. Destacou-se como instrumentista e participou de vários programas, entre eles, “O Fino da Bossa”.

Viajou para os Estados Unidos em 1964, onde se apresentou ao lado de grandes músicos como Sérgio Mendes. Em seguida, representou o Brasil na Europa como solista, apresentando a música popular brasileira em 24 países. A viagem lhe rendeu estadia mais longa na França, onde conseguiu bolsa de estudos. Visitou inúmeros outros países: URSS, Israel, Suíça, Itália, Portugal e diversas nações da África, retornando ao Brasil em 1970. Trabalhou com Martinho da Vila e produziu seus quatro LPs. Também produziu e participou como instrumentista de LPs de Nara Leão, Maria Bethânia e Miúcha.

Passou mais um tempo na França, retornando em 74, onde criou uma banda que teve várias formações e a passagem de diversos músicos renomados, como João Donato e Ivone Lara. Rosinha gravou mais de uma dezena de LPs e chegou a ser premiada pela Ordem dos Músicos do Brasil. Até hoje, ela é considerada uma das matrizes instrumentais da Bossa Nova. Em 1992, sofreu uma parada cardíaca, que lhe causou lesão cerebral e a colocou em coma. Para ajudar nas despesas médicas, artistas realizaram, em várias oportunidades, shows em sua homenagem para custear o tratamento. Após vários anos em estado vegetativo, a valenciana, então, com 62 anos de idade, acabou falecendo no dia 10 de junho de 2004, no Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi, por insuficiência respiratória.

Discografia:

1963 – Apresentando Rosinha de Valença (LP – Elenco);

1965 – Brasil’ 65-Wanda de Sah featuring The Sergio Mendes Trio (LP – Capitol);

1965 – In person at El Matador. Sergio Mendes & Brasil’ 65 (Atlantic/Fermata);

1966 – Rosinha de Valença ao vivo (LP – Forma);

1970 – Rosinha de Valença apresenta Ipanema beat (LP – RCA Victor);

1971 – Um violão em primeiro plano (LP – RCA Victor);

1973 – Rosinha de Valença (LP – Som Livre);

1975 – Rosinha de Valença e banda ao vivo (LP – Odeon);

1976 – Cheiro de mato (LP – EMI-Odeon);

1977 – Sivuca e Rosinha de Valença ao vivo (LP – RCA Pure Gold);

1980 – Violões em dois estilos. Rosinha de Valença e Waltel Blanco (LP – Som Livre);

1983 – Encontro das águas (LP – Espaço Produções Artísticas Ltda.);

1990 – Rosinha de Valença & Flavio Faria(feat. Toots Thielemans) (Iris Music);

2004 – Namorando a Rosa (CD – Quitanda/Biscoito Fino).

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