Viscondessa do Monte Verde

Por Rodrigo Magalhães

No dia cinco de maio passado completou 151 anos de morte da Viscondessa do Monte Verde, a maior benfeitora da cidade de Rio Preto e a única mulher na história das Minas Gerais que recebeu tão elevada titulação nobiliárquica de D. Pedro II.

Seu nome era Maria Thereza Souza Fortes. Ela nasceu no final do século 18, no município de São João Del-Rei, filha de membros de abastadas famílias mineiras. O pai, Luís Fortes Bustamante de Sá, foi o primeiro guarda-mor de Rio Preto, em 1798. A mãe, Ana Teresa de Mello Almeida Souza Menezes, era filha de um famoso comendador português chamado Luiz de Souza Brandão Menezes.

Como era muito comum na época, ela se casou com o seu primo Francisco Thereziano Fortes, filho de Francisco Dionísio Fortes de Bustamante e herdeiro da imponente Fazenda Santa Clara, edificada no início do século 19 em Rio Preto, onde essa rica família construiu um verdadeiro império. A maior parte da população escrava de Rio Preto pertencia a esse casal, que segundo alguns registros chegou a possuir perto de 3 mil africanos escravizados.

A Igreja Matriz Nosso Senhor dos Passos foi iniciada pelas habilidosas mãos desses escravos do Comendador Thereziano, e ás custas das suas generosas doações, em 1835. O Comendador faleceu em 1854, durante a execução do seu ambicioso projeto, quando então a viúva Maria Thereza continuou as obras, doando mais dinheiro e várias arrobas de café. Foi ela quem contratou José Maria Vilaronga Y Panella, arquiteto catalão (natural da Catalunha, província espanhola) recém-chegado da Europa, para dar prosseguimento às obras da nova igreja.

Finalmente, em 26/09/1860, a nova Matriz foi inaugurada. Conta-se que as obras ficaram, naquele tempo, em $480.000.000 (algo equivalente a 67,2 Kg de ouro, ou seja, quase atuais 9 milhões de reais). Dona Maria Thereza, logo após a inauguração, mandou alforriar todos os escravos que trabalharam na construção e ordenou que soltassem todos os animais que prestaram serviço, e deu, nos limites da fazenda Santa Clara, para os lados do Boqueirão e Taboão, diversos pedaços de terra a estes escravos. Ela soube reconhecer todo o sacrifício e o esforço sobre-humanos desempenhados por seus escravos durante os 25 anos de intenso trabalho a fim de edificarem, à custa de seu suor, esse gigantesco templo que até os dias atuais é reconhecido como uma das maiores e mais belas igrejas de toda a região.

Em reconhecimento a essa notória contribuição pública, devido à magnificência da Matriz construída com seu próprio dinheiro (aliado à posição de destaque política e econômica de Rio Preto no cenário nacional àquele período), por meio de dois Decretos Imperiais (de 05 de fevereiro de 1861 e 17 de abril de 1867), Maria Thereza Souza Fortes foi agraciada com os títulos nobiliárquicos de Baronesa e Viscondessa do Monte Verde, respectivamente. Assim, tornou-se a única mulher a merecer a titulação de Viscondessa em toda a Província de Minas Gerais, sendo uma das 26 mulheres agraciadas pelo Império Brasileiro em mais de um milheiro de homens, excluídas as esposas dos titulares, às quais se estendia o título, por hábito de cortesia e de nobiliarquia.

Ela também pertencia a grandes irmandades de Pernambuco, São João Del-Rei e Congonhas do Campo. Toda vez que viajava, retornava para a Vila de Rio Preto, onde chegava em grande estilo e luxuoso aparato, comparável aos da Corte, sempre acompanhada de mucamas, pajens, belos animais e ricas liteiras. Faleceu na Fazenda Santa Clara, em 06/05/1868, e foi sepultada à frente do altar-mor da Matriz Nosso Senhor dos Passos de Rio Preto, onde há uma lápide informando que “Aqui jaz a fundadora dessa Matriz”.

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